O secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, encerrou a gala da segunda edição dos Prémios Millennium Horizontes, com notícias positivas sobre a economia portuguesa. O ano de 2018, que agora termina, foi, garante, um “ano de consolidação do setor exportador”. Aquele setor, diz, foi mesmo “a parcela do PIB que mais puxou pelo crescimento da economia portuguesa”.
E concretizou. “O crescimento nominal das exportações portuguesas de bens e serviços continua muito perto dos 7% e, em termos reais, a crescer muito perto dos 5%, enquanto o PIB cresce na ordem dos 2,1 a 2,3 %”. E esse crescimento “robusto” de 2018 “vem na sequência de um ano de 2017 em que as exportações cresceram mais de 11%. Crescer quase 7% em cima de 11% é absolutamente extraordinário”, elogiou, perante uma plateia lotada de empresários de sucesso que deram o seu contributo para estes resultados.
As empresas vencedoras dos prémios desta segunda edição – Nautilus (Inovação PME), Bluepharma (Inovação GE), EbankIT (Exportação PME), Controlar (Exportação GE), Asfertglobal (Internacionalização PME), Caradonna (Internacionalização GE), Manuel Tavares (microempresa), Indumape (PT2020) e Adclick (Garantia Mútua) – foram selecionadas entre mais de 800 candidaturas. O número espelha um forte crescimento face à primeira edição, na qual concorreram cerca de cinco centenas de empresas.
Isso “demonstra o dinamismo atual da nossa economia e do setor privado, que é absolutamente essencial para o futuro”, disse, satisfeito, o presidente do conselho de administração do Millennium bcp, Nuno Amado, salientando que as candidaturas cobriram “todas as indústrias, muitos setores de serviços, e com uma forte componente tecnológica e de inovação”. A elevada adesão é, também, uma prova de “enorme mobilização, reconhecimento dos prémios e do banco”, destacou. A iniciativa, promovida pelo Millennium em parceria com o Global Media Group, “tenta cumprir uma função de reconhecimento de empresas que têm mais horizontes”, disse. Este ano a gala decorreu em Braga, uma das regiões que mais candidaturas apresentou. Segundo Nuno Amado, “60% das candidaturas vêm de Porto, Braga e Aveiro”, um reflexo do “empreendedorismo” destas regiões.
O presidente do Global Media Group, Daniel Proença de Carvalho, lembrou que é importante “dar voz a uma realidade empresarial positiva, relevante e exemplar”, dando a “conhecer o que está bem e nos valoriza como coletivo”. “Se temos um país capaz de apresentar com tanta facilidade exemplos de excelência empresarial”, diz, é preciso “divulgar o que o país realmente vale e que vai para além dos escândalos”.
As exportações têm vindo a crescer e a ganhar peso. “Portugal aumentou, nos últimos 12 anos, aproximadamente 80% o peso das exportações no PIB”, graças a um “grande trabalho coletivo”, disse o secretário de Estado da Internacionalização. Este ano o país vai terminar “muito perto dos 44 a 45% do peso das exportações no PIB” e o objetivo de, até meados da próxima década, atingirmos, pelo menos, 50% do peso das exportações no PIB, é alcançável”, acrescentou Eurico Brilhante Dias. O setor empresarial tem vindo a alargar a base exportadora (mais empresas a exportar) e a diversificar mercados. Mas é preciso continuar a trabalhar, pois Portugal tem, ainda, uma “excessiva concentração de exportações para a União Europeia” e uma “concentração das exportações num número reduzido de empresas, na área de bens”.
O contributo das exportações é essencial para ajudar Portugal a desenvolver-se e a sair da crise. Eurico Brilhante Dias diz, inclusive, que “o país sabe que, com o nível de endividamento que ainda mantém, apesar da redução do peso da dívida no PIB, servir a procura internacional é um elemento decisivo para poder continuar a crescer e gerar oportunidades”.
Numa gala que visou “celebrar os bons resultados das empresas”, o secretário de Estado da Internacionalização aproveitou para apontar algumas das prioridades da política económica nacional. Uma dessas prioridades é “reter talentos”. “Só vamos conseguir criar melhores condições para reter talento se tivermos bons projetos, se tivermos projetos escaláveis e com dimensão internacional”.
Outra prioridade é continuar a captar investimento direto estrangeiro. E, nessa área, há dados encorajadores, pois, “muitas empresas começam a escolher o país para operar numa perspetiva global, sem que do lado da administração pública haja umaaproximação em que se diga que há um pacote financeiro e fiscal que pode cofinanciar ou suportar a operação”.
Zulay Costa