Dirigindo-se aos representantes das empresas finalistas dos Prémios Millennium Horizontes 2018 na plateia do Altice Fórum Braga, Luís Castro Henriques, CEO da AICEP Portugal Global afirmou determinado: “Quem nos tirou da crise foram vocês, as empresas exportadoras.” O seu discurso passou uma mensagem de confiança às organizações que pensem entrar na aventura da internacionalização, sem deixar de apontar alguns cuidados e dar conselhos a quem assistia ao debate, moderado pelos jornalistas Rosália Amorim, diretora do Dinheiro Vivo e Anselmo Crespo, subdiretor da TSF.
Na sua opinião, “quem se aventura na internacionalização tem um caminho mais difícil do que se se mantivesse apenas na gestão do dia-a-dia.” Mas, atenção, a decisão de marcar presença com filiais ou passar a vender em mercados externos exige planeamento. Há que estudar os vários mercados de modo a identificar onde é que o seu produto ou serviço pode ter mais margem”, advertiu, lembrando que existem várias ferramentas disponibilizadas pela AICEP sobre os vários mercados a que as empresas podem ter acesso.
Qual é o caminho do crescimento para as empresas portuguesas? Para Pedro Pires de Miranda, CEO da Siemens, “a liderança é muito importante num país pequeno que precisa de crescer.” São os líderes, aqueles que puxam a carroça da empresa para usar uma expressão sua, que têm de conseguir que as empresas portuguesas aumentem as suas vendas. E isso passa necessariamente pelo exterior, defende. Só assim podemos dar um salto qualitativo e consolidar as empresas, acredita. “Sem exportação é impossível crescer”, concluiu.
Como estimular o ecossistema inovador? Para o CEO da Siemens, multinacional alemã que baseia o seu crescimento na inovação tecnológica, tudo passa pela “dinâmica empresarial.” Com esta expressão quer referir-se à liderança e à capacidade dos lideres identificarem novos clientes e parceiros ou mudarem de modelo de negócio quando é preciso, por exemplo. Mas deixou o alerta: “o cliente estrangeiro é mais exigente [do que o cliente nacional] ” no que toca, por exemplo, ao cumprimento de prazos e aos preços.
Para as PME é essencial ter uma cost position muito competitiva, defendeu. Algo também muito importante na sua perspetiva é saber usar a cloud pública que ajuda a reduzir custos. As empresas podem assim começar a fazer networking, ou seja, a gerir a sua rede de contactos com parceiros internacionais. Em suma, disse Pedro Pires de Miranda para concluir, a qualidade da liderança, das pessoas e a inovação tecnológica são três pilares essenciais que permitem às empresas portuguesas crescer.
Como acrescentar mais valor aos produtos e serviços exportados? Para Jorge Portugal, diretor-geral da COTEC Portugal, uma forma de o fazer é integrando áreas da empresa, antes desligadas. Usar um modelo que integre, por exemplo, a área do desenho e da conceção com a fábrica, a área produtiva.
Como levar setores como a pedra ornamental, a cerâmica, o calçado e o têxtil a subir na cadeia de valor? “Os setores tradicionais já acabaram”, defendeu o responsável pela organização que promove a inovação empresarial em Portugal. As empresas portuguesas de todos os setores de atividade têm capacidade de introduzir inovação em vários pontos e é isso que conduz ao crescimento. Na sua opinião, uma empresa inovadora tem menor risco financeiro. “Quanto maior é a capacidade de inovação das empresas maior é a redução do risco financeiro.”
Tecnologia abre mercados
Sofia Tenreiro, diretora-geral da Cisco Portugal defendeu que “a tecnologia permite-nos concorrer em pé de igualdade”. Acredita que a “marca Portugal” pode fazer muito no incremento das exportações e que a aprendizagem deve ser contínua. Hoje não basta ter um MBA, temos de aprender para o resto da vida, disse. Uma vida mais longa, uma vez que as previsões apontam para que vivamos mais tempo.
A informação sobre as empresas candidatas a este prémio tem sido tratada pela Universidade Católica, a instituição de ensino parceira desta iniciativa conjunta do Millennium bcp e do Global Media Group, que fez a avaliação externa e independente das candidaturas. Desde a primeira edição que a Católica tem tido a missão de, indo além da seleção dos vencedores, analisar e comparar as organizações para daí retirar o máximo de informação. “Transformamos a análise de big data [grande quantidade dedados] em big knowledge, ou seja, num conhecimento aprofundado das organizações”.
Maria João Alexandre